O outro lado

Ser entrevistado é sempre um terror. O suor que corre pela testa ao depararmos com uma pergunta mais complicada. Aquele assunto que você sempre ignorou ou teve preguiça de estudar, pois é, ele está ali na sua frente, entre você, que está à um passo de enfartar, e o entrevistador, obsecado na ânsia de obter a resposta. Você olha para o relógio e já se passaram 2 horas de entrevista. Cansaço, vontade de fugir, começa a se perguntar o porquê da necessidade de saber aquilo para aquela vaga, o porquê de ele ter escolhido logo aquela pergunta, e, principalmente, o porquê de você não ter estudado. Enfim, você acaba respondendo a pergunta da pior forma possível e sabe que nao vai conseguir aquela vaga.

Pois é, o sistema de entrevistas que criamos é injusto e nem sempre realmente filtra os melhores candidatos. A começar pelo currículo, que nem sempre traduz realmente o que o candidato representa. Pode ser que ótimos candidatos possuam péssimos currículos, ou vice-versa. E é aí que entra o perigo, candidatos que não seriam adequados para a vaga podem ter currículos bem escritos e detalhados, e além disso, podem iludir o entrevistador com uma boa oratória, fazendo com que sejam melhor sucedidos nas entrevistas de emprego.

Eu já fiz entrevistas que poderiam facilmente serem chamadas de fuzilamento. Grupos de pessoas fuzilando candidatos com perguntas é o principal problema  neste processo. Isso faz com que eles fiquem nervosos e evidentemente não renderão o que poderiam.

Outro erro comum é fazer questões muito detalhadas sobre um determinado assunto. Obviamente dependendo do nível hierárquico da vaga iremos procurar candidatos com diferentes níveis de conhecimento, no entanto, deveríamos também dar valor à vontade de reter conhecimentos novos assim como a capacidade de aprender coisas novas, afinal, estamos numa era onde nem sempre sabemos tudo, mas sabemos onde buscar tais informações.

Recentemente eu tive a oportunidade de começar a entrevistar pessoas no meu atual trabalho, é incrível estar do outro lado da mesa. Ver o nervosismo por trás dos olhos do entrevistado, saber antes mesmo da resposta que eu o peguei desprevinido. Eu tento levar a entrevista como se fosse uma bate-papo entre dois amigos. Pergunto as dificuldades e as qualidades, e sempre tento fugir de questões técnicas demais e criar contextos práticos e fazer perguntas dentre dele.

Seja você um entrevistador ou um entrevistado, reaja à este cenários, mude! Pense fora da caixa, responda questões de uma forma que te destaque. Sempre (!) estude sobre a empresa e se puder sobre o entrevistador, vá preparado e com perguntas sinceras sobre a empresa, afinal aquele pode ser a sua segunda casa em breve.

Afinal, por que eu deveria te contratar?

 

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