Homenagem póstuma

Uma das coisas que me traz mais felicidades de lembrar nessa vida é com certeza do amor incondicional que havia entre meu avô e eu. O fato de ele ter tido meu pai tão velho, com 51 anos, fez com que eu somente pudesse ter ele por pouco tempo ao meu lado, uma vez que quando eu nasci ele já beirava os 70.

Evidente que, assim como todo mundo, ele possuia seus defeitos. Não gostava de barulho, nem dos vizinhos, reclamava feito uma gralha de tudo e de todos e não aceitava muito comportamentos diferentes do que lhe foi ensinava no início do século 20.

As curvas da vida fez com que o meu círculo familiar mais próximo fosse formado pela minha mãe, minha irmã mais nova e meu avô, que era pai do meu pai, uma vez que meu pai saiu de casa quando eu ainda era pequeno.

Meu avô nos dava carinho e cuidava de nós como filhos, e retribuíamos com compania. Éramos companheiros de futebol pela TV, assistimos juntos um número grandíssimo de jogos, não só do São Paulo, mas de todo e qualquer time. Campeonato Argentino, Espanhol, e até Francês, que naquela época era bem fraco, antes dos bilhões asiáticos atingir o Paris-Saint-German.

Infelizmente, com problemas de saúde, ele se foi quando eu ainda tinha 17 anos. Quanta coisa ainda tínhamos para compartilhar, quantas experiências ainda poderíamos viver juntos. Ele esteve presente nos momentos mais difíceis, e sempre lutou para nos dar um pouco de dignidade nesse mundo injusto onde vivemos.

Ele morreu no dia que fiz a matrícula na faculdade. Eu havia ganho uma bolsa integral num dos melhores cursos de computação. Aquele foi um dos grandes dias da minha vida, o dia que eu virei universitário e o dia que eu perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida.

A música era uma das suas paixões. Música clássica e ópera tocavam sem parar dia e noite e meio que passei a gostar também. Cresci escutando obras-primas de Mozart e Bach, álbuns e álbuns do Pavarotti. Eu particularmente gostava de I Paggliacci.

Este vídeo abaixo é uma representação da obra de Mozart, o Requiem, e, também, o maestro se parece muito fisicamente com o meu avô. Mozart a compôs até Lacrimosa, que é meu trecho preferido, e infelizmente veio a falecer depois disso. O seu auxiliar, felizmente, consegui finalizar o trabalho em alto nível depois da morte do mestre.

Que um dia possamos escutar a isto mais uma vez, juntos, aonde quer que seja.

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